(22) 9 9948-1737 oitaperunense@yahoo.com

Governador em exercício do Rio detalha cortes, combate à milícia e recuperação de bilhões

Governador em exercício do Rio detalha cortes, combate à milícia e recuperação de bilhões

Miriam Leitão entrevista o governador em exercício do Rio, Desembargador Ricardo Couto. Ele concedeu a primeira entrevista exclusiva e diz que população precisava de respostas imediatas. Foto: Claudio Renato

O governador interino do Rio de Janeiro, desembargador Ricardo Couto, afirmou que não sabe quanto tempo permanecerá à frente do Palácio Guanabara, mas garantiu que decidiu agir rapidamente diante da necessidade de manter os serviços públicos funcionando. Em sua primeira entrevista exclusiva, dada à repórter Miriam Leitão, da Globonews e TV Globo, Couto detalhou medidas adotadas desde que assumiu o comando do estado em meio à crise política envolvendo a cúpula do governo fluminense.

A longa interinidade, segundo ele, exigiu decisões imediatas. Direto do Tribunal de Justiça, onde prefere continuar despachando, o magistrado afirmou que o cidadão não poderia esperar indefinidamente enquanto o cenário político permanecia indefinido.

A entrevista marca um momento incomum na política fluminense. Em um estado marcado por sucessivos escândalos e prisões de ex-governadores, medidas administrativas consideradas básicas passaram a chamar atenção da população, como cortes de despesas, fechamento de secretarias e exoneração de funcionários excedentes.

Cortes de cargos e enxugamento da máquina pública

Entre as primeiras ações do governo interino está a exoneração de mais de 2.700 funcionários e o fechamento de diversas secretarias estaduais. Ricardo Couto explicou que os desligamentos atingiram servidores não concursados e defendeu a criação de um limite para cargos ocupados por pessoas fora da carreira pública.

Segundo o governador em exercício, o excesso de funcionários precisava ser revisto para reorganizar a estrutura administrativa. Ele comparou o modelo ao Tribunal de Justiça, onde há percentual reduzido de profissionais não concursados.

Couto também afirmou que parte dos contratados sequer comparecia ao local de trabalho. Para ele, os indícios apontam para a existência de funcionários fantasmas, situação que classificou como incompatível com o serviço público.

O governador interino destacou que o objetivo é reduzir desperdícios e reorganizar a gestão estadual diante da grave crise financeira enfrentada pelo Rio de Janeiro.

Governo tenta recuperar bilhões perdidos no RioPrevidência

Outro foco da atual gestão é a tentativa de recuperar mais de R$ 3 bilhões relacionados ao rombo no RioPrevidência. Couto revelou que o governo estadual trabalha judicialmente para reaver recursos ligados ao Banco Master.

De acordo com ele, a Procuradoria-Geral do Estado busca alternativas para direcionar pagamentos de empréstimos feitos junto à instituição financeira diretamente aos cofres estaduais. A medida está em análise judicial.

O governador afirmou acreditar que o estado conseguirá recuperar parte significativa dos valores, considerados fundamentais para garantir pagamentos de aposentados e pensionistas do Rio.

Plano prevê desapropriação da refinaria de Manguinhos

Ricardo Couto também confirmou a intenção do governo estadual de desapropriar o terreno da refinaria de Manguinhos, controlada pela Refit, empresa ligada ao empresário Ricardo Magro.

A área, pertencente à União, depende de autorização federal para que o estado avance no processo. Segundo o governador interino, a ideia é utilizar parte da dívida tributária da empresa, estimada em cerca de R$ 10 bilhões, para viabilizar a operação.

O projeto prevê transformar a região em um polo industrial ampliado, com interesse de grandes empresas do setor energético, incluindo a Petrobras.

A proposta busca recuperar ativos para o estado e impulsionar investimentos em uma área considerada estratégica para a economia fluminense.

Governador defende retomada de áreas dominadas por facções

Durante a entrevista, Ricardo Couto também falou sobre segurança pública e criticou a ocupação territorial de comunidades por facções criminosas e milícias.

Para ele, o poder público precisa retomar essas áreas oferecendo não apenas policiamento, mas também infraestrutura, abertura de ruas, serviços públicos e regularização fundiária.

O governador afirmou que muitas lideranças políticas evitam enfrentar o problema por receio de desgaste eleitoral, mas defendeu ações imediatas para impedir que moradores continuem submetidos ao controle de criminosos.

Segundo Couto, propriedades ocupadas ilegalmente precisam voltar ao controle do Estado para garantir segurança jurídica à população residente nessas regiões.

Crise política e influência das fake news preocupam interino

Questionado sobre a sequência de governadores do Rio envolvidos em investigações e operações policiais, Couto afirmou que o eleitor precisa redobrar a atenção no momento de escolher seus representantes.

Ele demonstrou preocupação com o impacto das fake news no processo eleitoral e destacou a importância do jornalismo profissional no combate à desinformação.

O governador interino citou ainda a necessidade de fortalecer instituições democráticas em um ambiente político frequentemente abalado por denúncias e crises sucessivas.

Sem previsão de quando deixará o cargo, Ricardo Couto afirmou que seguirá tomando decisões enquanto permanecer à frente do governo estadual.

Mesmo sem horizonte definido para o fim da interinidade, o desembargador garante que pretende manter medidas administrativas e ações voltadas à reorganização financeira e institucional do Rio de Janeiro.

Com informações, Agenda do Poder

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *