Reeleito em 2022, Romário tem mandato até 2030, mas vem enfrentando desgaste na relação com a base bolsonarista
O senador Romário (PL-RJ) anunciou, nesta quinta-feira (11), que vai se licenciar do mandato a partir da próxima semana, cumprindo um acordo firmado com o Partido Liberal desde o início de sua gestão. A movimentação abre caminho para que o suplente Bruno Bonetti (PL-RJ), um dos nomes de maior confiança da cúpula do PL no Rio, assuma o mandato até o final de março de 2026. A decisão ocorre após meses de atritos do ex-jogador com setores do bolsonarismo — e a previsão é de forte repercussão no cenário político fluminense.
Segundo Romário, a licença — que deve durar cerca de quatro meses — já estava prevista desde 2023. “Desde o início do mandato, ficou definido que o meu suplente, Bruno Bonetti, também teria a oportunidade de representar o Rio de Janeiro no Senado”, afirmou o parlamentar em nota enviada à imprensa. Durante o afastamento, o senador pretende permanecer no estado: “Estarei no Rio, ouvindo as pessoas, visitando cidades e fortalecendo o trabalho que realizo pelo meu estado”.
Reeleito em 2022, Romário tem mandato até 2030, mas vem enfrentando desgaste na relação com a base bolsonarista. Em setembro, durante o ato pró-Bolsonaro no 7 de Setembro, apoiadores gritaram “fora, Romário” após ele recusar apoio à candidatura de Alexandre Ramagem (PL) à Prefeitura do Rio em 2024 e declarar voto no atual prefeito, Eduardo Paes (PSD). O ex-jogador também destoou do partido ao não apoiar iniciativas contra o ministro Alexandre de Moraes, pauta central do bolsonarismo mais radical.
Além da atividade parlamentar, Romário mantém forte presença no Rio: preside o América e comanda a Romário TV, canal no YouTube em que entrevista personalidades do futebol — como Zico, Felipe Melo e Diego Ribas.
Quem é Bruno Bonetti, o suplente que assume
Bruno Bonetti deve ocupar a cadeira de Romário até março. Ele é presidente municipal do PL no Rio, braço direito de Altineu Côrtes na direção estadual e figura próxima ao presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto.
Considerado um político pragmático, Bonetti consolidou influência dentro do PL fluminense e ganhou a confiança da família Bolsonaro. Antes da ascensão bolsonarista no partido, chegou a presidir a RioLuz durante a gestão Eduardo Paes (PSD) na prefeitura. Em 2024, foi um dos principais articuladores da campanha de Alexandre Ramagem ao Palácio da Cidade, acompanhando o deputado em debates e entrevistas.
Com Côrtes em Brasília durante boa parte da semana, Bonetti é quem toca o dia a dia partidário no Rio — o que o tornou peça essencial na estrutura local do PL.
Licença combina acordo interno e reposicionamento político
A ida de Bonetti ao Senado atende ao arranjo interno construído pelo PL em 2022, mas ocorre em um momento sensível para Romário, que tenta reaproximar-se das bases do partido após sucessivas tensões com o bolsonarismo
A expectativa é que o suplente possa usar os meses no Senado como vitrine política, enquanto Romário reforça presença no estado e reorganiza sua interlocução com lideranças locais.
Ricardo Villa Verde, com informações: Agenda do Poder